PADRE ALAOR PORFÍRIO DE AZEVEDO

Pároco: 1929-1934

   É importante introduzirmos este artigo ressaltando a inseparável associação que se estabelece entre o que podemos chamar de história da Igreja particular de Uberaba com a própria história desta cidade e, por conseguinte, de todo o Brasil. Analisar como os diversos sujeitos se influenciam e transformam as realidades nas quais se inserem é nosso desafio ao olhar para a vida desses padres e religiosos que marcaram, cada qual a seu modo, mas todos movidos pelo mesmo amor cristão, nossa trajetória social. Os acontecimentos específicos que fundamentam o alvorecer da Igreja uberabense, como a construção da primeira ermida no começo do século XIX, confundem-se com o processo de povoação desta cidade, bem como o desenvolvimento da Igreja com a fundação de um bispado

Padre Alaor Porfírio de Azevedo

e da chegada de D. Eduardo, nosso primeiro bispo, coincide com a expansão econômica e política de Uberaba. É preciso, assim, compreender que o exercício de lembrança da vida de homens piedosos como a de Padre Alaor servem, para além de exemplo de uma vida dedicada a Deus e à Igreja, como instrumento de compreensão de nossa fé, de nossa Igreja e de nossa cidade.

   

   Antes de assumir a administração do Curato da Sé - denominação que então se usava para se referir à Catedral -, Padre Alaor Porfírio destacou-se no auxílio prestado em Patos de Minas na condição de coadjutor de Monsenhor Manoel Fleury Curado. Foi, então, convidado pelo Vigário Capitular da Diocese Cônego José João Pema para assumir a Catedral de Uberaba o que aconteceu por provisão do bispo uberabense D. Frei Luiz Maria de Santana, em 17 de dezembro de 1929. É preciso pontuar que foi durante o mesmo ano que a quebra da bolsa de Nova York impôs uma gravíssima crise econômica ao Brasil, gerando como consequência a falência de muitos, o encarecimento geral dos produtos, a carestia de alimentos e um desemprego acentuado. A atuação caridosa por parte de Padre Alaor, num período em que a circunscrição eclesiástica da Catedral abrangia as capelas de Santa Terezinha, São Sebastião (em Itiguapira), Nossa Senhora da Conceição (na Baixa) e São Sebastião (em Ponte Alta), foi certamente decisiva, e sua capacidade para arrecadar a excepcional quantia de quatrocentos contos de réis num momento de crise e dificuldades para o início da reforma da Catedral que, segundo Padre Prata, em seu livro Memória da Arquidiocese de Uberaba, de acordo com "testemunhas da época, era 'o maior pardieiro da cidade'. O reboco caia das paredes, as colunas de madeira, como também as grades e o assoalho, tudo estava roído pelos cupins". Deste modo, o cumprimento de seus deveres sacerdotais num momento de acentuada crise e a capacidade, apesar disso, alcançar resultados extraordinários são dignos de nota.

   

   Permaneceu como cura da Catedral de Uberaba até o dia 10 de maio de 1934, sendo substituído interinamente pelo cônego Joaquim Tiago dos Santos. Seguiu, então, para Uberlândia, onde em 1935, por conta de seu envolvimento político, foi vítima de evento assim descrito por inquérito policial: "os comunistas prenderam-no, certa noite, despindo-o completamente e pixando-lhe o corpo, o amarraram em praça pública, para escárnio e desprestígio da Igreja Católica", demonstrando assim o clima de tensão política que se vivia na época entre forças políticas antagônicas e o inevitável envolvimento da Igreja em ambos os lados desse enfrentamento. Finalmente, Padre Alaor Porfírio retirou-se definitivamente para a cidade de Araxá, a partir de 1936.

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