“Desde o início da Bíblia fala-se do pobre”, afirma dom Vital Corbellini

“Este pobre homem grita e o Senhor escuta” é o tema do II Dia Mundial dos Pobres, instituído pelo papa Francisco no final do Jubileu da Misericórdia em 2016. Segundo explicou o papa durante o Ângelus no domingo, 11 de novembro, é “uma iniciativa de evangelização, oração e partilha” que busca incentivar “uma crescente atenção às necessidades dos últimos, dos marginalizados e dos famintos”.


Celebrado neste domingo, 18, com uma missa presidida pelo pontífice na Basílica de São Pedro, o II Dia Mundial dos Pobres é uma organização do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, que incentiva este evento nas dioceses de todo o mundo e impulsiona algumas iniciativas eclesiais em favor dos marginalizados.


Mas, quem é o pobre na Bíblia?! – Segundo o bispo de Marabá, no Pará, dom Vital Corbellini, a Sagrada Escritura dá uma consideração especial ao pobre, visto também como o “empobrecido”, o “indigente”, o “mendigo”, o “necessitado”. “Ele ganha a predileção de Deus porque é excluído dos bens e a sua confiança é dada em Deus e Ele vem ao seu encontro. Desde o início da Bíblia fala-se do pobre”, afirma o bispo.


No livro do Êxodo, por exemplo, dom Vital salienta que tem se presente a lei em que o povo viveria na terra prometida desde que afirmasse no ato de qualquer julgamento que não distorceria o direito do pobre em seu processo. Ainda no mesmo livro, em uma das passagens, dom Vital comenta que ao pobre é recomendado dar o alimento necessário, sobretudo tudo aquilo que avance na vinha ou na colheita do trigo.


Bispo de Marabá, no Pará, dom Vital Corbellini


Em Deuteronômio, o bispo explica que é encontrada a realidade do ano sabático em que a terra retornava aos seus proprietários havendo uma espécie de anistia e generosidade aos devedores, a fim de que não houvesse pobre no meio do povo de Deus. “O livro fala que uma roupa que é dada ao pobre não poderia passar com a pessoa à noite, mas deveria ser devolvida logo a ele, para que ele possa deitar-se com o manto da pessoa, pelo fato de que ele não tem nada e poderia passar frio à noite”, diz.


Em Salmos, dom Vital cita referências bonitas de favorecimento do Senhor em relação aos pobres, onde de acordo com ele, o salmista clama que Deus erga a sua mão e não se esqueça dos pobres. “O Senhor se levanta por causa da miséria dos pobres, do gemido dos necessitados, é o refúgio daqueles que querem confundir as esperanças do mísero, cuida do pobre porque a pessoa é pobre e é infeliz, mas o Senhor está com o pobre”, reitera.


Já no Novo Testamento, o bispo de Marabá alega que é possível encontrar referências da vida dos pobres sendo os prediletos de Deus. “Jesus é o pobre por excelência e o primeiro a fazer a opção pelos pobres, pecadores, prostitutas, pessoas que eram excluídas da sociedade. A todas elas aproximou-se, dando-lhes a Boa Nova do Reino de Deus e expulsando demônios, curando os doentes, ressuscitando os mortos”, afirma.


Em suma, dom Vital reconhece que a Sagrada Escritura coloca a preferência de Deus para com os pobres. “Todos somos chamados à salvação; ninguém é excluído, no entanto Deus olha com carinho para o pobre, o necessitado, a viúva, o órfão, o estrangeiro, o desempregado, o excluído dos bens da sociedade”, considera.


Responsabilidades com os desamparados – Unido ao papa Francisco, especialmente na II Jornada Mundial dos Pobres, dom Vital assegura que a responsabilidade da Igreja no Brasil é com a evangelização para com todas as pessoas. Neste sentido, ele convoca a todos para a partilha (de acolhida aos pobres). “Que haja saúde, moradia, educação para todos (os da cidade e os do campo)! Que olhemos os povos da Amazônia, os migrantes, os povos indígenas, os ribeirinhos!”, exorta.


E completa: “Que possamos marcar uma maior presença junto às periferias de nossas cidades, não somente nos centros, de modo que a opção pelos pobres seja uma opção no seguimento a Cristo Jesus e à sua Igreja. Olhemos com carinho a natureza para que haja uma ecologia integral e que haja novos caminhos para a Igreja na Amazônia. Façamos ações em favor da superação da violência; valorizemos as comunidades, as pastorais, os movimentos, os serviços, os jovens, a família, a comunidade, a sociedade, para que em tudo amemos a Deus, ao próximo como a si mesmo, mandamento da Lei do Senhor Jesus Cristo e de sua Igreja”, finaliza o bispo.


FONTE: CNBB




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