Farrell: “Proposta concreta para uma Igreja Doméstica”

“Neste momento nossas horas não são mais marcadas pelo ritmo de trabalho e pelo ‘fazer’, mas pela nossa capacidade de deixar espaço ao outro dentro de nossas casas”. Reflexão do cardeal Kevin Farrell, prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida.


Jane Nogara - Cidade do Vaticano




“Proposta concreta para uma 'Igreja Doméstica'”. É a reflexão do cardeal Kevin Farrell, prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida. O cardeal inicia sua reflexão recordando que “na Igreja temos um tesouro escondido: a família. O Senhor sempre acompanhou todas as crises do seu povo com mensagens extraordinárias e parece fazê-lo também diante das pandemias, que obriga todos nós a um retiro forçado em nossas casas”. E segue afirmando “Sentimo-nos sós, isolados e é justamente neste isolamento que o Espírito nos sugere redescobrir o sacramento do matrimônio, com o qual as nossas casas, pela presença constante de Cristo na relação consagrada dos esposos, tornam-se uma pequena Igreja doméstica”.


Cristo permanece com os cônjuges


De fato, o Papa Francisco na Amoris Laetitia n. 67 sublinha: ”Cristo Senhor ‘vem ao encontro dos esposos cristãos com o sacramento do matrimónio’ (n. 48) e permanece com eles”. Jesus não vai embora, permanece com os esposos e está presente em suas casas, não apenas quando estão reunidos e rezam, mas todos os momentos”.

O cardeal observa que com a força desta realidade, “podemos redescobrir, neste tempo particular que estamos vivendo, o que cada família cristã é: uma manifestação genuína do mistério, que é a Igreja como Corpo de Cristo”. De fato, continua, os cônjuges “edificam o Corpo de Cristo e constituem uma Igreja doméstica (Amoris Laetitia 67). Deste corpo, cada família é uma parte essencial que se constrói a partir dos gestos diários, nos quais Jesus está sempre presente”.


Oportunidade de viver a nossa família


O cardeal prefeito convida todos a considerarem que: “O tempo que o Senhor está nos oferecendo, é um tempo de treinamento, na espera de derrotar este mal”. “O Senhor nos dá a oportunidade – continua o cardeal Ferrell – de olhar com ternura os nossos filhos, com paciência carinhosa o nosso cônjuge; moderar o tom da voz mesmo se reina uma desordem inesperada em casa com as crianças, educar as nossas crianças a aproveitarem bem este tempo que parece que nunca vai passar, educá-los ao diálogo feito com a escuta um do outro, de calma interior, do respeito”.

“É um tempo de crescimento para cada um de nós, horas que não são mais marcadas pelo ritmo de trabalho e pela gestão familiar do ‘fazer’. Agora, serão horas marcadas pela nossa capacidade de deixar espaço ao outro dentro de nossas casas “.

O cardeal observa o quanto é importante nesta nova e inesperada dimensão que “os cônjuges saibam se olhar nos olhos e falarem entre si, planificando o dia a dia, conscientes que entre as paredes domésticas há uma presença bela que nasce da sua relação: Jesus”.


Treinamento espiritual


E sublinha que “este não é apenas um tempo de treinamento humano, mas também espiritual. É um tempo de pré-evangelização, nas casas e através das casas, como na época das primeiras comunidades cristãs, durante as quais o Senhor nos convida a nos reunir como famílias, rezar juntos, ao redor de uma vela acesa, para nos recordar que há Alguém que nos mantêm unidos e que neste momento de desorientação, nos ama”. E isso, continua o cardeal “nos permitirá voltar a celebrar nas nossas igrejas, mais conscientes e fortes da presença de Jesus na nossa vida diária”.


Como rezar em família


“Podemos nos reunir como família, aos domingos, para celebrar de modo mais solene a liturgia doméstica que habitualmente, em virtude da presença de Jesus realiza-se através dos gestos dos cônjuges”.

Para fazê-lo o cardeal sugere: “podemos nos reunir em uma peça da casa, recitar um Salmo, de louvor, pedir perdão com uma palavra ou gestos entre os pais, entre os pais e os filhos, e familiares presentes. Ler o Evangelho do domingo, cada um pode exprimir seu pensamento sobre a Palavra do Dia, fazer orações de pedidos pelas necessidades da família, dos que amamos, pela Igreja e pelo mundo. Por fim, confiar a Maria a nossa família e todas as famílias que conhecemos”. Isso pode ser feito por todas as famílias, porque Jesus disse: “Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali, no meio deles. (Mt 18, 20)”, completa o cardeal.


Rezar nas redes sociais


O cardeal sugere também o uso da moderna tecnologia e redes sociais como por exemplo “rezar aos domingos com mais famílias, via Skype, ou com outros sistemas de redes sociais. As crianças podem fazer algumas leituras, ou alternar vozes de casais e famílias que estão conectadas”.

O cardeal Farrell conclui sugerindo “Aproveitemos este tempo um pouco estranho para acolher e viver o Espírito nas nossas casas e redescobrir a riqueza e o dom das nossas igrejas domésticas junto com Jesus que habita em nós”.

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